quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Reaprendendo a mexer com plantas



Quando foi a última vez que plantou algo? Me fiz essa pergunta há alguns meses, porque sempre gostei de comer algo mais natural, mas por morar em apartamento estava mais refém das feiras. Até uns 22 anos eu morei em um local que tinha muitas árvores. Eram 7 mangueiras de tipos diferentes, mais um cajueiro (que caiu quando eu ainda era criança), muitas bananeiras, 2 jaqueiras, 2 pés de cacau, 1 de jamelão, 2 de acerola, 4 coqueiros, 1 amoreira, 1 pitangueira, 1 goiabeira, e de vez em quando apareciam alguns pés de maracujá maçã (aquele mais azedo). Nem vou comentar sobre as plantas de jardim que a minha mãe cultivava com muito carinho.

Mudar para um apartamento é estranho em muitos sentidos, e alguns deles é a falta de contato com a terra que eu sempre tive, e ficar sentada na lage à noite olhando o céu estrelado. Toda vez que pensava em plantar em vasos, me batia uma implicância de me parecer com as pessoas que plantam coisas só por enfeite. Nunca lembrava de comprar o vaso ou a terra. Um dia conversando com a minha mãe, ela topou a ideia de ter umas mudas de temperos porque folha fresca é melhor que a seca. Tomei vergonha e comprei com ajuda da minha mãe os vasos e a terra.


Daí, começou a bater uma vontade de tentar algumas mudas de frutas que são de origem brasileira. Um pouco pelo fato de diversos amigos não saberem que algumas frutas são nossas (alguns sabiam o nome em inglês, mas não sabiam o nome em português ou indígena), nunca tinham visto as flores de algumas frutas. Me causava muita estranheza e tristeza notar isso. Disso, decidi procurar primeiro as sementes das plantas que estavam na época em algumas praças da Ilha.

Só que rolou um problema: minha terra tinha acabado. Porém, uma amiga comentou que tinha lido uma história de tentar germinar em borra de café. Não achei muita coisa sobre germinar em café. Li muito que usar a borra do café era bom para a terra. Comecei a fazer algumas experiências com folhas, cascas e borra de café. Joguei sementes de várias frutas que tinha comido em uma semana e joguei mais folhas, cascas e borra de café. De vez em quando molhava. Até que veio a surpresa da primeira muda. Que semanas depois fui informada pela escritora do seminário de receitas (um perfil no Instagram) e pelo meu amigo Bruno de que seria um abacateiro. Mostrei meu afilhado que ficou encantado. Assim que a muda ganhou mais corpo, dei ao meu afilhado que a plantou na terra há um pouco mais de uma semana.


Gostei tanto da empolgação do meu afilhado ao saber que aquela muda era de uma árvores frutífera que quero repassar isso a outras pessoas, principalmente crianças. Agora todo lugar, ou todo amigo pergunto se tem ou se sabe quem ou onde tem algumas árvores frutíferas brasileiras para tentar algumas mudas. Será que dará certo? Pelo menos acredito que é uma atitude boa para este 2017. E você sabe de onde vem seu alimento? Conhece as árvores, as flores que geram a sua fruta favorita? Já pensou (ou já faz) em plantar em casa alguma?


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